"Dizia-se que Pavão tinha como destino Inglaterra para jogar no Manchester United. Mas, há 36 anos acabaram os sonhos: Fernando Pascoal das Neves morria em campo, no FC Porto-Vitória de Setúbal, da 13ª jornada do campeonato 73/74, que o Sporting viria a ganhar.

O "grande jogador", nas palavras do actual treinador do FC Porto, Jesualdo Ferreira, "amigo" e companheiro no Liceu de Chaves e nos juniores do Desportivo, nasceu em 1947, em Chaves, e foi descoberto pelos "olheiros" do FCP. Rumou às Antas ainda júnior e teve estreia auspiciosa na equipa principal: Flávio Costa lançou-o com 18 anos, no FC Porto-Benfica do Campeonato 1965/66, pedindo-lhe que marcasse o "monstro" Mário Coluna. Não se deu pelo capitão do Benfica, Pavão brilhou e o FC Porto ganhou por 2-0, golos de Carlos Batista e Nóbrega.
A alcunha de Pavão é atribuída ao facto de ter tendência para, ao jogar, abrir os braços, num movimento que alguém comparou ao do pavão a abrir a cauda. À elegância do seu futebol juntava-se qualidade e Pavão tornou-se capitão da equipa e figura do clube. Por seis vezes jogou pela selecção, algo ao tempo quase inacessível para quem não jogasse nos "grandes" do regime: Benfica e Sporting.
Faz hoje 36 anos que Pavão, ao minuto 13 do jogo fatídico frente ao Vitória de Setúbal, passou a bola a António Oliveira, ficou parado e caiu. António Trindade Guedes, vulgo "TG", colaborador da Renascença, acompanhava o jogo enquanto repórter de pista. "Estava a 50 metros do local da tragédia", recorda, certo de que os dois treinadores - Béla Guttmann, do FC Porto, e José Maria Pedroto, do Vitória - se aperceberam da gravidade da situação. "As pessoas começaram a levar as mãos à cabeça", diz.

Pavão, ídolo do FC Porto, fantasista dos relvados de futebol, deixava, num ápice, o mundo dos vivos. Ainda foi socorrido pelo médico do FC Porto, José Santana, e pelo massagista, Vítor Hugo, e seguiu para o Hospital de S. João. A morte foi anunciada no final do jogo, que já tinha decorrido sob uma atmosfera de consternação. Ninguém festejou a vitória por 2-0, com golos de Abel e Marco Aurélio.
Trindade Guedes acompanhou a ambulância que levou Pavão. Também algo fantasista, mas no desfiar de memórias, TG garante: "Fui o único". No S. João, os médicos tentaram reanimar o futebolista de 26 anos – sem sucesso. Hoje, lembra-se de um jogador de grande qualidade, "o melhor no lugar dele", no lado direito do meio-campo, e de uma "pessoa muito amiga".
Pôs-se a hipótese de Pavão ter morrido de estenose aórtica congénita ou do uso de substâncias estimulantes, mas o processo foi arquivado sem que se tivesse apurado com rigor a causa da tragédia."

Noticia retirada do sito da Radio Renascença:
Não assinada.

Publicada por RS quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

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