Começo esta crónica em Janeiro de 2002. Não porque considere que seja o início de uma nova era, mas sim a afirmação do clube na Europa mantendo as bases que tornaram este clube grande e diferente. Grande porque após o 25 de Abril, já em liberdade, conquistamos vários títulos, e diferente porque as próprias característcas das pessoas da região onde está inserido assim o exigem. Coragem, combatividade, serenidade e qualidade e amor por uma única causa: Futebol Clube do Porto.

Em Janeiro de 2002 José Mourinho é apresentado como treinador do FCP. Eliminadas as gorduras internas, o técnico com carisma inicia a “Portugalização” do plantel. Herdando de Octávio Machado e não só jogadores já consagrados e com experiência de grandes clubes e campeonatos, juntamente com jovens promessas, temos no final de 2002, inícios de 2003 um plantel de base constituido por 4 defesas portugueses, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Jorge Costa e Ricardo Carvalho (recordo que o também português Jorge Andrade chegou a trabalhar sob as suas ordens e depois foi vendido). Nos anos seguintes mantemos um meio campo totalmente português e com uma pitada de pimenta estrangeira. Um Costinha, Maniche e Deco condimentados por um Alenitchev, Carlos Alberto e outros. Recordo ainda que o plantel foi constituido por suplentes como Pedro Mendes, Pedro Emanuel e jogadores que embora de valia mediana conseguiram suplantar-se (César Peixoto, Marco Ferreira e outros). A frente de ataque apenas teve jogadores maioritariamente estrangeiros, como foram os casos de McCarthy e Derlei. Helder Postiga foi a excepção.

Quero apenas frisar que estes nomes não significam nada se não tivermos uma estrutura técnica que motive e rentabilize estes activos.

A saída de Mourinho implicou um desvio normal e natural de rumo. A venda de activos importantes mediante contrapartidas financeiras excelentes assim o obrigou. Foram efectuados investimentos (desportivos e financeiros) importantes como a compra de Diego, Luis Fabiano e Anderson e outros. Anos mais tarde a base anteriormente constituida por Vitor Baia, uma defesa e meio campo completamente português depressa se transformou em Helton, Pepe, Paulo Assunção, Lucho e Lisandro. Ninguém põe em causa a qualidade destes jogadores. Aliás eles foram vendidos por milhões e só um louco põe em causa esses negócios.

Mas após quatro ou cinco anos, seria interessante voltar a esta estratégia inicial. Contudo a “portugualização” do plantel implica alguns riscos e condicionantes. A mais importante será a existência de jogadores de qualidade. Luis Castro, membro do Departamento de Formação do FCP, já por inúmeras vezes disse em entrevistas que a formação é importante mas mais importante é o clube ser campeão. Olhando para o mercado de facto não encontro jogadores lusos com capacidade técnica e táctica para jogar no FCP. Mas esse é o trabalho de um Departamento de Prospecção. Encontrar jogadores do nada e fazer deles investimentos altamente rentáveis, desportiva e financeiramente. Cissokho será o exemplo mais recente de rentabilidade. Mas este vem de uma escola francesa completamente distinta da nossa.

Num outro post falarei sobre aqueles que são necessários e fundamentais para o clube e aqueles que por tuta e meia ou mais do que isso se vieram a revelar decisões infelizes.

Publicada por AFC terça-feira, 17 de novembro de 2009

1 Responses to A Portugalização (2003-2010)

  1. RA Says:
  2. Esta um post bastante interessante e a verdade é que vemos bastantes jogadores na selecçao que jogaram no Fcporto e muito poucos os que ainda jogam no clube. Pois hoje em dia nao temos muitos jogadores portugueses no plantel.
    Se olharmos bem podemos dizer que sao poucos os jogadores portugueses no mercado ou da formaçao que possam jogar no clube, mas tambem na altura do Mourinho como escreves , tambem na altura nao imaginavamos como jogadores, vindos do Setubal, Leiria, Belenenses,Guimaraes...e mais outros clubes...fossem campeoes europeus e vencessem a taça uefa...e é verdade é que tivemos dos melhores planteis da historia do fcPorto.
    E curiosamente o Mourinho no Inter joga muitas vezes sem italianos no onze..por isso em tao poucos anos a propria filosofia do treinador mudou. E nao deixa de ser campeão

     

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